quarta-feira, novembro 17, 2004

Unreturned Love

Curioso como algumas coisas parecem vir à procura de nós, quando não procuramos por elas, mas sabemos que elas lá estão.

Pode não fazer muito sentido, o que acabo de dizer. Para mim, faz.

Senão, porque sonho eu todas as noites com aquilo que tento esquecer? Porque serei assolado, diariamente, por visões daquilo que nunca irei ter? Porque, quando menos espero, a frase mais simples, ou a letra de uma música de que nunca me tinha apercebido antes, ou mesmo uma única palavra, acordam aquilo que tanto me esforço para adormecer?

Google: procuro imagens para por no Messenger. Tópico: Feeling Low (sentimento geral do dia). Entre imagens inconsequentes, encontro uma com o título "Unreturned Love" - e a minha atenção é imediatamente captada pela visão de um grupo de cadeiras vermelhas de uma sala de cinema, tenuemente iluminadas; a do meio, fruto do "flash" ou de um outro efeito paranormal, brilha com um vermelho vivo, muito diferente do tom sombrio das outras.

Não fosse o estado de alma em que me encontro provocado pelo cruel e esmagador sentimento de um amor não correspondido, o título da imagem ser-me-ia inconsequente. Não fosse o facto das minhas duas últimas idas ao cinema terem sido desprovidas de companhia - apesar de ter tentado obtê-la - a cadeira que brilha, isolada, não me teria apertado o coração. Não fosse o facto de me ver rodeado de casais felizes, onde quer que vá, e não ser capaz de alcançar o mesmo, por mais que tente brilhar, e não me teria afeiçoado tanto a uma simples fotografia...

E volto ao início: "Curioso como algumas coisas parecem vir à procura de nós, quando não procuramos por elas, mas sabemos que elas lá estão." Eu sei que o meu amor existe. Tento esquecê-lo, pô-lo de lado, alhear-me dele, mas ele tem sempre uma forma esquiva de se esgueirar da prisão onde o coloco, para me voltar a atormentar.

Ou será que, deliberada ou involuntariamente, sou eu que me esqueço de trancar a porta?