quarta-feira, janeiro 09, 2013
quarta-feira, abril 12, 2006
Devolvido ao céu.
Nasceste com os pés bem assentes no chão. Mas sempre ansiaste mais.
Não te conformaste com a nossa natureza terrena, e quiseste subir mais alto, ir mais longe.
Foste um dos primeiros portugueses a ter a honra e o prazer de experimentar a sensação de sair do chão, e voar. Desde então, o teu mundo mudou, e também o nosso.
Voaste pelo mundo fora, guiado apenas pelo sol e pelas estrelas, quando a aviação ainda era uma aventura, temida por uns e desejada por outros. Experimentaste coisas fora do alcance da maior parte de nós, e cresceste com isso. Crescemos todos, com a tua partilha, com as tuas histórias - algumas quase épicas -, com a tua vida.
Depois, foram-te puxando para o chão, cada vez mais... Mas a tua mente nunca foi presa ao chão. O teu corpo não podia voar, mas a tua mente continuava a ir longe, trilhando os céus com os teus companheiros de aventuras... E sempre voltavas a casa para contar as histórias aos teus filhos, netos e amigos. E todos conseguíamos voar como tu, a ouvi-las.
No fim, perdeste a capacidade de falar, e já não conseguias partilhar as histórias conosco, mas víamo-las no brilho dos teus olhos...
Hoje, foste finalmente devolvido aos céus, para nunca mais voltar. Estás onde pertences. Bons voos, avô, e até sempre!
Não te conformaste com a nossa natureza terrena, e quiseste subir mais alto, ir mais longe.
Foste um dos primeiros portugueses a ter a honra e o prazer de experimentar a sensação de sair do chão, e voar. Desde então, o teu mundo mudou, e também o nosso.
Voaste pelo mundo fora, guiado apenas pelo sol e pelas estrelas, quando a aviação ainda era uma aventura, temida por uns e desejada por outros. Experimentaste coisas fora do alcance da maior parte de nós, e cresceste com isso. Crescemos todos, com a tua partilha, com as tuas histórias - algumas quase épicas -, com a tua vida.
Depois, foram-te puxando para o chão, cada vez mais... Mas a tua mente nunca foi presa ao chão. O teu corpo não podia voar, mas a tua mente continuava a ir longe, trilhando os céus com os teus companheiros de aventuras... E sempre voltavas a casa para contar as histórias aos teus filhos, netos e amigos. E todos conseguíamos voar como tu, a ouvi-las.
No fim, perdeste a capacidade de falar, e já não conseguias partilhar as histórias conosco, mas víamo-las no brilho dos teus olhos...
Hoje, foste finalmente devolvido aos céus, para nunca mais voltar. Estás onde pertences. Bons voos, avô, e até sempre!
segunda-feira, março 27, 2006
Verdade e consequência
Honestidade, sinceridade, frontalidade... Verdade.
Serão estes conceitos assim tão estranhos, nos dias que correm? Ou será que são apenas isso mesmo: conceitos? Conceitos sem fundamento, sem aplicação prática, que se perderam com o tempo como tantos outros?
Eu não acredito nisso. Não quero acreditar. Será fraqueza minha? Não creio. Acredito nestas coisas como um Templário no Graal de que tanto se ouve contar, mas que ninguém viu. Acredito em ser honesto com as pessoas, principalmente com aqueles de quem gosto e que considero meus amigos. Acredito que só sendo sincero com eles estarei a ser sincero comigo próprio, e só assim consigo construir uma amizade sólida, forte, cúmplice e duradoura. Acredito que é preciso ser-se frontal de vez em quando, dizendo aos amigos aquilo que pensamos, para que haja justiça nessa mesma amizade, para que ela não seja apenas uma relação distante e fútil, e porque sem frontalidade estaremos a comprometer a própria honestidade, e a própria sinceridade.
Então porque será tão difícil ser-se honesto, sincero, e principalmente frontal? Porque teremos nós receio de dizer a verdade, principalmente se ela é difícil de dizer? Ter-se-á "difícil" tornado "impossível", nalgum ponto da nossa História?
Há uns tempos atrás, disse aqui que estaria preparado para cometer algumas pequenas loucuras. "Preparado" quis dizer que transpus o medo que se interpunha entre mim e a verdade, e fiz da verdade o meu objectivo final. Não mais iria deixar coisas por dizer, apenas por serem "difíceis". Se houvesse coisas a dizer, di-las-ia, sem medo. Afinal, que seria mais justo e honesto do que ser sincero, frontal, e verdadeiro? E quem me poderia censurar por isso?
Hoje, tenho menos uma amiga.
Uma amiga a quem me abri como nunca me tinha aberto antes, a quem confessei coisas boas e más do meu e do nosso passado, a quem contei coisas que contive este tempo todo, apenas porque achei que seria justo ela sabê-las - por fazer parte não apenas de mim, mas de nós. Não que alguma vez nesse passado - ou até ao presente - lhe tenha sido desonesto, ou não tenha sido sincero ou verdadeiro, ou mesmo frontal. Fui tudo isto até onde me foi permitido, mas mesmo assim houve muito que ficou por contar: coisas pelas quais passei sozinho, confusões e tormentas que tive que enfrentar e ultrapassar, e o que fui aprendendo com isso, e como evoluí através disso até chegar onde estou... Tudo para que, no fim, não achasse que tivessem ficado coisas por dizer, ou histórias por contar...
Hoje, tenho menos uma amiga.
Uma amiga que apenas soube olhar para o que eu disse e - ignorando e desrespeitando tudo o que conheceu e aprendeu sobre mim estes anos todos - perverter as minhas palavras de tal maneira que, no fim, aquele que ela me acusou de ser não era eu. Era alguém que eu não conhecia, alguém horrível aos meus olhos, alguém que me repugnava e que eu nunca conseguiria admitir na minha presença. Acusou-me de ser propositadamente subversivo, enganador, pérfido e mentiroso. Um génio da mentira, brilhante na sua concepção de um esquema tão elaborado, que invejaria o próprio demónio. Um esquema tão diabólico, que eu próprio tive dificuldade em entendê-lo...
A princípio, fiquei atónito. Seria aquilo verdade? Não podia crer... Seria aquilo para mim? Indubitavelmente, era: o meu nome estava lá, e era dirigido a mim...
Depois, veio a confusão. Não conseguia perceber onde ela tinha visto semelhantes coisas em mim... Li-me e reli-me até que percebesse como se conseguiria chegar a tais conclusões a partir do que escrevi... sem sucesso. Cheguei a duvidar da própria idoneidade das minhas palavras, mas logo me lembrei de quem era, e da vontade de ser franco e honesto que me tinha assolado quando lhe escrevi, e me apercebi que não me tinha enganado - não tinha dito nem nunca tinha tido intenção de dizer tais aberrações...
Finalmente, a desilusão. Estava desiludido comigo, por ter sido talvez demasiado franco... Não, não estava. Não podia estar! Quis ser franco, e verdadeiro, e tinha-o sido. Não havia como sê-lo em demasia. Então estava desiludido com ela...
E estava. E estou. Estou desiludido com o facto de seis anos de uma amizade que achava ser forte e honesta se podem tornar irrelevantes de um dia para o outro. Estou desiludido com o facto de alguém de quem gostava, e cujo carácter respeitava, ter sido capaz de distorcer, corromper e perverter tanto as mais honestas das palavras, como se pelo pior dos criminosos tivessem sido escritas. Estou desiludido com a facilidade com que a montanha que julgava ser a nossa amizade se desmoronou, como se de um mero castelo de areia se tratasse...
Perdi uma amiga, e arrependo-me disso, mas será que ainda a poderia considerar uma amiga? A uma pessoa que desrespeitou seis anos de uma amizade, que desrespeitou tudo aquilo que sempre fui para ela, e no fim acabou por me desrespeitar a mim, não posso chamar amiga. Muito menos quando o motivo pelo que tudo foi desrespeitado tenha sido talvez o momento mais honesto, sincero e frontal da nossa amizade.
A verdade traz consequências, e não são alternativas, como o jogo popular pode sugerir... Estarmos preparados para encarar e enfrentar essas consequências faz parte do nosso crescimento como pessoas. E, se aquilo que dissemos foi pura verdade, a consequência não poderá ser mais verdadeira e honesta. Poderá ser brutal e injusta, mas nunca poderá nem deverá abalar a nossa honestidade.
Continuarei a ser honesto, sincero, frontal e verdadeiro, porque não acredito no contrário. Por mais que me doa.
Serão estes conceitos assim tão estranhos, nos dias que correm? Ou será que são apenas isso mesmo: conceitos? Conceitos sem fundamento, sem aplicação prática, que se perderam com o tempo como tantos outros?
Eu não acredito nisso. Não quero acreditar. Será fraqueza minha? Não creio. Acredito nestas coisas como um Templário no Graal de que tanto se ouve contar, mas que ninguém viu. Acredito em ser honesto com as pessoas, principalmente com aqueles de quem gosto e que considero meus amigos. Acredito que só sendo sincero com eles estarei a ser sincero comigo próprio, e só assim consigo construir uma amizade sólida, forte, cúmplice e duradoura. Acredito que é preciso ser-se frontal de vez em quando, dizendo aos amigos aquilo que pensamos, para que haja justiça nessa mesma amizade, para que ela não seja apenas uma relação distante e fútil, e porque sem frontalidade estaremos a comprometer a própria honestidade, e a própria sinceridade.
Então porque será tão difícil ser-se honesto, sincero, e principalmente frontal? Porque teremos nós receio de dizer a verdade, principalmente se ela é difícil de dizer? Ter-se-á "difícil" tornado "impossível", nalgum ponto da nossa História?
Há uns tempos atrás, disse aqui que estaria preparado para cometer algumas pequenas loucuras. "Preparado" quis dizer que transpus o medo que se interpunha entre mim e a verdade, e fiz da verdade o meu objectivo final. Não mais iria deixar coisas por dizer, apenas por serem "difíceis". Se houvesse coisas a dizer, di-las-ia, sem medo. Afinal, que seria mais justo e honesto do que ser sincero, frontal, e verdadeiro? E quem me poderia censurar por isso?
Hoje, tenho menos uma amiga.
Uma amiga a quem me abri como nunca me tinha aberto antes, a quem confessei coisas boas e más do meu e do nosso passado, a quem contei coisas que contive este tempo todo, apenas porque achei que seria justo ela sabê-las - por fazer parte não apenas de mim, mas de nós. Não que alguma vez nesse passado - ou até ao presente - lhe tenha sido desonesto, ou não tenha sido sincero ou verdadeiro, ou mesmo frontal. Fui tudo isto até onde me foi permitido, mas mesmo assim houve muito que ficou por contar: coisas pelas quais passei sozinho, confusões e tormentas que tive que enfrentar e ultrapassar, e o que fui aprendendo com isso, e como evoluí através disso até chegar onde estou... Tudo para que, no fim, não achasse que tivessem ficado coisas por dizer, ou histórias por contar...
Hoje, tenho menos uma amiga.
Uma amiga que apenas soube olhar para o que eu disse e - ignorando e desrespeitando tudo o que conheceu e aprendeu sobre mim estes anos todos - perverter as minhas palavras de tal maneira que, no fim, aquele que ela me acusou de ser não era eu. Era alguém que eu não conhecia, alguém horrível aos meus olhos, alguém que me repugnava e que eu nunca conseguiria admitir na minha presença. Acusou-me de ser propositadamente subversivo, enganador, pérfido e mentiroso. Um génio da mentira, brilhante na sua concepção de um esquema tão elaborado, que invejaria o próprio demónio. Um esquema tão diabólico, que eu próprio tive dificuldade em entendê-lo...
A princípio, fiquei atónito. Seria aquilo verdade? Não podia crer... Seria aquilo para mim? Indubitavelmente, era: o meu nome estava lá, e era dirigido a mim...
Depois, veio a confusão. Não conseguia perceber onde ela tinha visto semelhantes coisas em mim... Li-me e reli-me até que percebesse como se conseguiria chegar a tais conclusões a partir do que escrevi... sem sucesso. Cheguei a duvidar da própria idoneidade das minhas palavras, mas logo me lembrei de quem era, e da vontade de ser franco e honesto que me tinha assolado quando lhe escrevi, e me apercebi que não me tinha enganado - não tinha dito nem nunca tinha tido intenção de dizer tais aberrações...
Finalmente, a desilusão. Estava desiludido comigo, por ter sido talvez demasiado franco... Não, não estava. Não podia estar! Quis ser franco, e verdadeiro, e tinha-o sido. Não havia como sê-lo em demasia. Então estava desiludido com ela...
E estava. E estou. Estou desiludido com o facto de seis anos de uma amizade que achava ser forte e honesta se podem tornar irrelevantes de um dia para o outro. Estou desiludido com o facto de alguém de quem gostava, e cujo carácter respeitava, ter sido capaz de distorcer, corromper e perverter tanto as mais honestas das palavras, como se pelo pior dos criminosos tivessem sido escritas. Estou desiludido com a facilidade com que a montanha que julgava ser a nossa amizade se desmoronou, como se de um mero castelo de areia se tratasse...
Perdi uma amiga, e arrependo-me disso, mas será que ainda a poderia considerar uma amiga? A uma pessoa que desrespeitou seis anos de uma amizade, que desrespeitou tudo aquilo que sempre fui para ela, e no fim acabou por me desrespeitar a mim, não posso chamar amiga. Muito menos quando o motivo pelo que tudo foi desrespeitado tenha sido talvez o momento mais honesto, sincero e frontal da nossa amizade.
A verdade traz consequências, e não são alternativas, como o jogo popular pode sugerir... Estarmos preparados para encarar e enfrentar essas consequências faz parte do nosso crescimento como pessoas. E, se aquilo que dissemos foi pura verdade, a consequência não poderá ser mais verdadeira e honesta. Poderá ser brutal e injusta, mas nunca poderá nem deverá abalar a nossa honestidade.
Continuarei a ser honesto, sincero, frontal e verdadeiro, porque não acredito no contrário. Por mais que me doa.
segunda-feira, janeiro 23, 2006
Place to be
Desert. It all began there. Search, freedom, doubt. Sex. Death. Common sense. Words. Extended levels of experience. The door at the end of a long corridor. Not an entertainer though. I've started my trip. This is all about it. Impossible concentration. Dreams. Old habits. Man has sold the world, his own soul for time, language, tools, weapons and dominance. What is it next? Football. Education. I can't see because i am totally blind, sightless. Old pirates seek for gold. Emancipation of mental slavery. Information is the key. Not for me. Prefer a feast of friends. the blue skies. I'm flying high above the earth. It's the desert. Again.
quarta-feira, janeiro 04, 2006
2006: O Ano Do Contacto
E os cinéfilos a esta altura já estarão a pensar: "então não era 2010?"...
E eu respondo: "não. Pelos vistos, não."
Tudo isto começou quando decidi, dia 2 de Janeiro - e por sugestão de um amigo -, consultar o meu horóscopo para saber o que o novo ano me reservava (em teoria :) ).
Essencialmente, e com alguma ênfase, referia que neste ano estaria particularmente activo na busca daquele "alguém", e que desta vez seria bem sucedido. Ao que eu pensei: "ha!" ...
E depois veio o "hmmm... Pelo menos os tipos acertaram em meio assunto. Será que...? Nãaa... não pode ser..."
"Pode?"
Cheguei a um ponto em que já não sabia se estava a pensar racionalmente, ou se já estava a deixar o meu cérebro divagar para aquele lugar onde ele gosta de estar - na vã esperança... E voltei à realidade.
Se é verdade ou não que finalmente terei algum raio de sorte nesta eterna busca - que para mim já parece a Demanda do Graal -, só alguém muito bem colocado no plano espaço-temporal saberá responder; o que eu sei é que estou preparado para fazer uma série de disparates, para tentar chegar a algum lado, diferente deste onde me encontro hoje. Se nada resulta, pode ser que os disparates tragam nova luz à realidade. Ou então pioram tudo...
Ou será que pioram? Será que isto pode ficar pior?
Estou de volta ao início. Não sei nada. Não percebo nada. Estarei mesmo a mais no mundo?
A ver vamos. A esperança é a última a morrer. (ou talvez a penúltima...)
E eu respondo: "não. Pelos vistos, não."
Tudo isto começou quando decidi, dia 2 de Janeiro - e por sugestão de um amigo -, consultar o meu horóscopo para saber o que o novo ano me reservava (em teoria :) ).
Essencialmente, e com alguma ênfase, referia que neste ano estaria particularmente activo na busca daquele "alguém", e que desta vez seria bem sucedido. Ao que eu pensei: "ha!" ...
E depois veio o "hmmm... Pelo menos os tipos acertaram em meio assunto. Será que...? Nãaa... não pode ser..."
"Pode?"
Cheguei a um ponto em que já não sabia se estava a pensar racionalmente, ou se já estava a deixar o meu cérebro divagar para aquele lugar onde ele gosta de estar - na vã esperança... E voltei à realidade.
Se é verdade ou não que finalmente terei algum raio de sorte nesta eterna busca - que para mim já parece a Demanda do Graal -, só alguém muito bem colocado no plano espaço-temporal saberá responder; o que eu sei é que estou preparado para fazer uma série de disparates, para tentar chegar a algum lado, diferente deste onde me encontro hoje. Se nada resulta, pode ser que os disparates tragam nova luz à realidade. Ou então pioram tudo...
Ou será que pioram? Será que isto pode ficar pior?
Estou de volta ao início. Não sei nada. Não percebo nada. Estarei mesmo a mais no mundo?
A ver vamos. A esperança é a última a morrer. (ou talvez a penúltima...)
quarta-feira, agosto 17, 2005
Love Song For No One
Este é o mais recente hino da minha existência. Daquelas músicas que ouvimos a dada altura das nossas vidas, e com que nos identificamos imediatamente - tanto, que até parece que o autor as escreveu a pensar em nós.
Neste caso, a letra e a própria melodia não se podiam adaptar melhor à minha pessoa: já fiz tudo, faço, penso e sinto exactamente o que a primeira descreve, e a segunda é a "capa" perfeita para a primeira - uma aparência alegre, optimista e descontraída para uma essência de cansaço, desilusão e vaga esperança de um futuro mais risonho. Tento fazer da melodia o meu dia-a-dia, mas não consigo deixar de sentir e fazer aquilo que é o âmago da música, e o âmago de mim.
"Love Song For No One" - John Mayer
Staying home alone on a Friday
Flat on the floor looking back
On old love
Or lack thereof
After all the crushes are faded
And all my wishful thinking was wrong
I'm jaded
I hate it
I'm tired of being alone
So hurry up and get here
So tired of being alone
So hurry up and get here
Get here
Searching all my days just to find you
I'm not sure who I'm looking for
I'll know it
When I see you
Until then, I'll hide in my bedroom
Staying up all night just to write
A love song for no one
(...)
I could have met you in a sandbox
I could have passed you on the sidewalk
Could I have missed my chance
And watched you walk away?
Oh no way
(...)
You'll be so good
You'll be so good for me...
Neste caso, a letra e a própria melodia não se podiam adaptar melhor à minha pessoa: já fiz tudo, faço, penso e sinto exactamente o que a primeira descreve, e a segunda é a "capa" perfeita para a primeira - uma aparência alegre, optimista e descontraída para uma essência de cansaço, desilusão e vaga esperança de um futuro mais risonho. Tento fazer da melodia o meu dia-a-dia, mas não consigo deixar de sentir e fazer aquilo que é o âmago da música, e o âmago de mim.
"Love Song For No One" - John Mayer
Staying home alone on a Friday
Flat on the floor looking back
On old love
Or lack thereof
After all the crushes are faded
And all my wishful thinking was wrong
I'm jaded
I hate it
I'm tired of being alone
So hurry up and get here
So tired of being alone
So hurry up and get here
Get here
Searching all my days just to find you
I'm not sure who I'm looking for
I'll know it
When I see you
Until then, I'll hide in my bedroom
Staying up all night just to write
A love song for no one
(...)
I could have met you in a sandbox
I could have passed you on the sidewalk
Could I have missed my chance
And watched you walk away?
Oh no way
(...)
You'll be so good
You'll be so good for me...
quinta-feira, agosto 04, 2005
indignado....
...olho o mundo que me rodeia e vejo algumas maravilhas e tristezas. não consigo limitar-me à indiferença e procuro razoes. a razão leva-me dia após dia a rejeitar a religião e a ficar indignado com a fé do homem em deus. Qualquer fé em qualquer deus. Recuso me a ouvir proclamar um deus q e a explicação de tudo, o principio de todas as maravilhas e a consequência de todas as dores e de todo o sofrimento "pois os seus desígnios seguem caminhos misteriosos" - só quem não sofre realmente pode aceitar uma atitude passiva neste sentido.
Privilegiado, recuso-me a embarcar nessa ilusão e ficar a ver o mundo apodrecer pq "deus é grande". Não! Recuso-me por indignação!
Revoltado com a guerra, com a fome, com a morte, com o vicio, com a injustiça no mundo. Atribuo ao homem, única e exclusivamente a ele, a responsabilidade de ter criado o mundo tal como é e poder mudar esta situação por desígnio e vontade própria e de a explicar através de uma capacidade de adaptação e evolução natural. Aceito a incapacidade humana temporária para explicar todos os processos com um sentido de causa/consequência, principio/fim como motor da própria evolução... Passa por compreender e aceitar esta realidade, a possibilidade efectiva de vivermos num mundo melhor, à imagem do homem e não à imagem de deuses. O próprio conceito em si ( a imagem de deus ), é motivo de destruição da espécie criando à partida um paradigma que conduz hoje, tal como no passado, a mais destruiçao e mais sofrimento do homem em prol da fé.
Privilegiado, recuso-me a embarcar nessa ilusão e ficar a ver o mundo apodrecer pq "deus é grande". Não! Recuso-me por indignação!
Revoltado com a guerra, com a fome, com a morte, com o vicio, com a injustiça no mundo. Atribuo ao homem, única e exclusivamente a ele, a responsabilidade de ter criado o mundo tal como é e poder mudar esta situação por desígnio e vontade própria e de a explicar através de uma capacidade de adaptação e evolução natural. Aceito a incapacidade humana temporária para explicar todos os processos com um sentido de causa/consequência, principio/fim como motor da própria evolução... Passa por compreender e aceitar esta realidade, a possibilidade efectiva de vivermos num mundo melhor, à imagem do homem e não à imagem de deuses. O próprio conceito em si ( a imagem de deus ), é motivo de destruição da espécie criando à partida um paradigma que conduz hoje, tal como no passado, a mais destruiçao e mais sofrimento do homem em prol da fé.
quinta-feira, julho 21, 2005
Mentiras-relógio
Já aconteceu várias vezes com as minhas, e por mais que uma vez aconteceu com as dos outros: as mentiras que vivemos acabam por nos rebentar na cara, quando menos esperamos...
Um belo dia, vemo-nos perante uma situação com que é complicado lidar-se: um assunto que sabemos ter grande potencial para gerar controvérsia, polémica, burburinho, e que pode ter um impacto significativo na nossa vida - não pelo assunto em si, mas pelo que os outros possam fazer ou pensar dele. É, realmente, complicado tratar de um assunto que depende da interpretação e opinião de outrem, especialmente quando achamos que a sua reacção possa não ser a melhor, e mesmo que nos seja desfavorável.
Qual a solução que encontramos para lidar com isto? - a mentira, a decepção, a ilusão. Porquê? - porque é muito mais fácil! Porque é uma maneira de "lidar" com o problema sem ter que *lidar* com o problema. Porque na altura não temos nem energia nem disponibilidade para pensar na solução que - certamente - nos irá trazer alguns dissabores, mas que é a mais correcta e - a seu tempo - a que melhor resulta.
Mas qual é a "solução"? - qualquer pessoa com inteligência, senso-comum e capacidade de discernimento médias sabe dizer que a solução é tudo menos mentir. Que o melhor a fazer é evitar que boatos e falsos rumores, más interpretações e polémicas se criem, tomando-se a iniciativa de divulgar a "nossa" verdade, antes que a "verdade" dos outros se espalhe e distorça cada vez mais. Porque a polémica é tanto maior quanto maior for o esforço do actor em esconder a acção, do prevaricador em esconder a prevaricação, do autor em esconder a obra.
Quantas vezes - e durante quanto tempo - ouvimos falar de um indivíduo que veio a público falar de qualquer assunto, antes que este se soubesse por outros meios? E, ao contrário, quantas vezes - e durante quanto tempo - ouvimos falar de um indivíduo que cometeu determinada acção polémica, sem que este o admitisse, e com quantas versões desse acto nos deparamos? Pense-se no jornalismo sensacionalista, nos paparazzi, na imprensa cor-de-rosa, e saberão de imediato do que falo. Porque nenhuma dessas notícias alguma vez apareceria num desses media, se fosse contada pelo próprio antes de se saber de antemão por terceiros, de uma forma sub-reptícia ou acidental. E tanto maior é a notícia quanto maior for o encobrimento.
Isto são as mentiras-relógio. As mentiras que criamos para esconder as coisas com que não sabemos ou queremos lidar, e que acabam por vir ao de cima da pior forma possível - da forma que tanto nos esforçamos para que não acontecesse. Ou não existisse a Lei de Murphy (nítido apontamento de Engenheiro, mas verdade absoluta). E muitas vezes, quando rebentam, causam estragos não só em nós, como nos que nos rodeiam - inadvertidamente, não intencionalmente, mas inevitavelmente.
Contrariamente ao vinho e a um pequeno punhado de outras coisas que quase se contam pelos dedos das mãos, a maior parte das coisas só piora com a idade. E, se criamos uma situação com potencial explosivo e insistimos em não a deflagrar em segurança, quanto mais tempo passa mais perigosa e incontrolável ela se torna... Palavra de quem viveu isto demasiadas vezes.
Um belo dia, vemo-nos perante uma situação com que é complicado lidar-se: um assunto que sabemos ter grande potencial para gerar controvérsia, polémica, burburinho, e que pode ter um impacto significativo na nossa vida - não pelo assunto em si, mas pelo que os outros possam fazer ou pensar dele. É, realmente, complicado tratar de um assunto que depende da interpretação e opinião de outrem, especialmente quando achamos que a sua reacção possa não ser a melhor, e mesmo que nos seja desfavorável.
Qual a solução que encontramos para lidar com isto? - a mentira, a decepção, a ilusão. Porquê? - porque é muito mais fácil! Porque é uma maneira de "lidar" com o problema sem ter que *lidar* com o problema. Porque na altura não temos nem energia nem disponibilidade para pensar na solução que - certamente - nos irá trazer alguns dissabores, mas que é a mais correcta e - a seu tempo - a que melhor resulta.
Mas qual é a "solução"? - qualquer pessoa com inteligência, senso-comum e capacidade de discernimento médias sabe dizer que a solução é tudo menos mentir. Que o melhor a fazer é evitar que boatos e falsos rumores, más interpretações e polémicas se criem, tomando-se a iniciativa de divulgar a "nossa" verdade, antes que a "verdade" dos outros se espalhe e distorça cada vez mais. Porque a polémica é tanto maior quanto maior for o esforço do actor em esconder a acção, do prevaricador em esconder a prevaricação, do autor em esconder a obra.
Quantas vezes - e durante quanto tempo - ouvimos falar de um indivíduo que veio a público falar de qualquer assunto, antes que este se soubesse por outros meios? E, ao contrário, quantas vezes - e durante quanto tempo - ouvimos falar de um indivíduo que cometeu determinada acção polémica, sem que este o admitisse, e com quantas versões desse acto nos deparamos? Pense-se no jornalismo sensacionalista, nos paparazzi, na imprensa cor-de-rosa, e saberão de imediato do que falo. Porque nenhuma dessas notícias alguma vez apareceria num desses media, se fosse contada pelo próprio antes de se saber de antemão por terceiros, de uma forma sub-reptícia ou acidental. E tanto maior é a notícia quanto maior for o encobrimento.
Isto são as mentiras-relógio. As mentiras que criamos para esconder as coisas com que não sabemos ou queremos lidar, e que acabam por vir ao de cima da pior forma possível - da forma que tanto nos esforçamos para que não acontecesse. Ou não existisse a Lei de Murphy (nítido apontamento de Engenheiro, mas verdade absoluta). E muitas vezes, quando rebentam, causam estragos não só em nós, como nos que nos rodeiam - inadvertidamente, não intencionalmente, mas inevitavelmente.
Contrariamente ao vinho e a um pequeno punhado de outras coisas que quase se contam pelos dedos das mãos, a maior parte das coisas só piora com a idade. E, se criamos uma situação com potencial explosivo e insistimos em não a deflagrar em segurança, quanto mais tempo passa mais perigosa e incontrolável ela se torna... Palavra de quem viveu isto demasiadas vezes.
sexta-feira, abril 01, 2005
...dúvidas...
"...só existem duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana...e mesmo acerca do Universo, tenho as minhas dúvidas..."
Albert Einstein
Albert Einstein
segunda-feira, março 28, 2005
Anti-Newton, ou o caso do Paradoxo TP-1878
No mundo em que vivemos, há uma coisa em que geralmente confiamos: na ciência. Deixamo-nos reger por algumas leis que damos como certas (porque funcionam?) e normalmente não as questionamos, até porque já deve ter havido alguém bem mais sábio que nós a fazê-lo, e sem sucesso.
Eu sou uma das pessoas que gostam de as pôr em causa, até que esgote todas as refutações que o meu intelecto seja capaz de produzir. Geralmente, o resultado é 1-0 para a ciência...
Mas hoje sei de uma lei que não é absoluta: uma lei que Isaac Newton formulou, e a que deu o nome de "Lei da Atracção Universal" (ou qualquer coisa parecida, em inglês da época...). A excepção a essa lei que - erradamente - Newton chamou de "universal", é aquilo que eu apelidei de "Lei da Repulsão Selectiva" - ou "Paradoxo TP-1878".
Esta é a lei que rege a minha vida. Uma lei formulada por quase 10.000 dias de experiência contínua, e que hoje tomo como certa.
Porquê "Repulsão Selectiva"? Simples: tudo aquilo de que me tento aproximar, afasta-se de mim a uma velocidade igual ou superior à minha velocidade linear de aproximação. Resultado? Só posso ter aquilo que não desejo.
Disto resulta o Paradoxo TP-1878. Uma das lições básicas de vida, que toda a gente com uma certa maturidade de espírito conhece, é qualquer coisa nas linhas de "para alcançares algo, tens que lutar por isso", ou "nada se ganha sem esforço".
Sendo assim, porque é que tudo aquilo que ambiciono e luto para atingir, se esmorece a cada passo em frente que dou? Porque é que as coisas só parecem surgir quando não as persigo, e quando menos as espero? E porque é que, cada vez que vislumbro uma luz ao fundo de um túnel, e me decido a percorrê-lo, a luz se apaga a poucos passos do início da minha caminhada?
Não posso almejar nada. Não posso ter ambições, sonhos, desejos, ou até o mais simples dos objectivos. Porque se os tiver, nunca os irei alcançar.
Mas então como posso viver sem ambições? Para que vivo? Já não sei o que é pior: viver alheado, sem desejo de conhecer ou lutar pelo meu futuro, ou viver com medo dos desgostos e frustrações que o futuro me traz, de cada vez que o tento construir...
Descobri que o mais simples é não viver, mas simplesmente ser. Apenas deixar-me flutuar e ser arrastado pela corrente da vida. Porque se nado, é para descobrir que apenas nadei contra uma corrente que é mais forte que eu, e o resultado foi cansaço e frustração.
Mas também descobri que, por mais que queira, não consigo apenas existir. Há sempre algo em mim que insiste em me libertar da inércia, e forçar a reacção. Uma força estúpida, que ignora o sofrimento que vai causar e persiste, incessantemente...
E assim sou eu. O Paradoxo TP-1878. O Anti-Newton. Eternamente preso no buraco negro da minha própria existência.
Eu sou uma das pessoas que gostam de as pôr em causa, até que esgote todas as refutações que o meu intelecto seja capaz de produzir. Geralmente, o resultado é 1-0 para a ciência...
Mas hoje sei de uma lei que não é absoluta: uma lei que Isaac Newton formulou, e a que deu o nome de "Lei da Atracção Universal" (ou qualquer coisa parecida, em inglês da época...). A excepção a essa lei que - erradamente - Newton chamou de "universal", é aquilo que eu apelidei de "Lei da Repulsão Selectiva" - ou "Paradoxo TP-1878".
Esta é a lei que rege a minha vida. Uma lei formulada por quase 10.000 dias de experiência contínua, e que hoje tomo como certa.
Porquê "Repulsão Selectiva"? Simples: tudo aquilo de que me tento aproximar, afasta-se de mim a uma velocidade igual ou superior à minha velocidade linear de aproximação. Resultado? Só posso ter aquilo que não desejo.
Disto resulta o Paradoxo TP-1878. Uma das lições básicas de vida, que toda a gente com uma certa maturidade de espírito conhece, é qualquer coisa nas linhas de "para alcançares algo, tens que lutar por isso", ou "nada se ganha sem esforço".
Sendo assim, porque é que tudo aquilo que ambiciono e luto para atingir, se esmorece a cada passo em frente que dou? Porque é que as coisas só parecem surgir quando não as persigo, e quando menos as espero? E porque é que, cada vez que vislumbro uma luz ao fundo de um túnel, e me decido a percorrê-lo, a luz se apaga a poucos passos do início da minha caminhada?
Não posso almejar nada. Não posso ter ambições, sonhos, desejos, ou até o mais simples dos objectivos. Porque se os tiver, nunca os irei alcançar.
Mas então como posso viver sem ambições? Para que vivo? Já não sei o que é pior: viver alheado, sem desejo de conhecer ou lutar pelo meu futuro, ou viver com medo dos desgostos e frustrações que o futuro me traz, de cada vez que o tento construir...
Descobri que o mais simples é não viver, mas simplesmente ser. Apenas deixar-me flutuar e ser arrastado pela corrente da vida. Porque se nado, é para descobrir que apenas nadei contra uma corrente que é mais forte que eu, e o resultado foi cansaço e frustração.
Mas também descobri que, por mais que queira, não consigo apenas existir. Há sempre algo em mim que insiste em me libertar da inércia, e forçar a reacção. Uma força estúpida, que ignora o sofrimento que vai causar e persiste, incessantemente...
E assim sou eu. O Paradoxo TP-1878. O Anti-Newton. Eternamente preso no buraco negro da minha própria existência.