Verdade e consequência
Honestidade, sinceridade, frontalidade... Verdade.
Serão estes conceitos assim tão estranhos, nos dias que correm? Ou será que são apenas isso mesmo: conceitos? Conceitos sem fundamento, sem aplicação prática, que se perderam com o tempo como tantos outros?
Eu não acredito nisso. Não quero acreditar. Será fraqueza minha? Não creio. Acredito nestas coisas como um Templário no Graal de que tanto se ouve contar, mas que ninguém viu. Acredito em ser honesto com as pessoas, principalmente com aqueles de quem gosto e que considero meus amigos. Acredito que só sendo sincero com eles estarei a ser sincero comigo próprio, e só assim consigo construir uma amizade sólida, forte, cúmplice e duradoura. Acredito que é preciso ser-se frontal de vez em quando, dizendo aos amigos aquilo que pensamos, para que haja justiça nessa mesma amizade, para que ela não seja apenas uma relação distante e fútil, e porque sem frontalidade estaremos a comprometer a própria honestidade, e a própria sinceridade.
Então porque será tão difícil ser-se honesto, sincero, e principalmente frontal? Porque teremos nós receio de dizer a verdade, principalmente se ela é difícil de dizer? Ter-se-á "difícil" tornado "impossível", nalgum ponto da nossa História?
Há uns tempos atrás, disse aqui que estaria preparado para cometer algumas pequenas loucuras. "Preparado" quis dizer que transpus o medo que se interpunha entre mim e a verdade, e fiz da verdade o meu objectivo final. Não mais iria deixar coisas por dizer, apenas por serem "difíceis". Se houvesse coisas a dizer, di-las-ia, sem medo. Afinal, que seria mais justo e honesto do que ser sincero, frontal, e verdadeiro? E quem me poderia censurar por isso?
Hoje, tenho menos uma amiga.
Uma amiga a quem me abri como nunca me tinha aberto antes, a quem confessei coisas boas e más do meu e do nosso passado, a quem contei coisas que contive este tempo todo, apenas porque achei que seria justo ela sabê-las - por fazer parte não apenas de mim, mas de nós. Não que alguma vez nesse passado - ou até ao presente - lhe tenha sido desonesto, ou não tenha sido sincero ou verdadeiro, ou mesmo frontal. Fui tudo isto até onde me foi permitido, mas mesmo assim houve muito que ficou por contar: coisas pelas quais passei sozinho, confusões e tormentas que tive que enfrentar e ultrapassar, e o que fui aprendendo com isso, e como evoluí através disso até chegar onde estou... Tudo para que, no fim, não achasse que tivessem ficado coisas por dizer, ou histórias por contar...
Hoje, tenho menos uma amiga.
Uma amiga que apenas soube olhar para o que eu disse e - ignorando e desrespeitando tudo o que conheceu e aprendeu sobre mim estes anos todos - perverter as minhas palavras de tal maneira que, no fim, aquele que ela me acusou de ser não era eu. Era alguém que eu não conhecia, alguém horrível aos meus olhos, alguém que me repugnava e que eu nunca conseguiria admitir na minha presença. Acusou-me de ser propositadamente subversivo, enganador, pérfido e mentiroso. Um génio da mentira, brilhante na sua concepção de um esquema tão elaborado, que invejaria o próprio demónio. Um esquema tão diabólico, que eu próprio tive dificuldade em entendê-lo...
A princípio, fiquei atónito. Seria aquilo verdade? Não podia crer... Seria aquilo para mim? Indubitavelmente, era: o meu nome estava lá, e era dirigido a mim...
Depois, veio a confusão. Não conseguia perceber onde ela tinha visto semelhantes coisas em mim... Li-me e reli-me até que percebesse como se conseguiria chegar a tais conclusões a partir do que escrevi... sem sucesso. Cheguei a duvidar da própria idoneidade das minhas palavras, mas logo me lembrei de quem era, e da vontade de ser franco e honesto que me tinha assolado quando lhe escrevi, e me apercebi que não me tinha enganado - não tinha dito nem nunca tinha tido intenção de dizer tais aberrações...
Finalmente, a desilusão. Estava desiludido comigo, por ter sido talvez demasiado franco... Não, não estava. Não podia estar! Quis ser franco, e verdadeiro, e tinha-o sido. Não havia como sê-lo em demasia. Então estava desiludido com ela...
E estava. E estou. Estou desiludido com o facto de seis anos de uma amizade que achava ser forte e honesta se podem tornar irrelevantes de um dia para o outro. Estou desiludido com o facto de alguém de quem gostava, e cujo carácter respeitava, ter sido capaz de distorcer, corromper e perverter tanto as mais honestas das palavras, como se pelo pior dos criminosos tivessem sido escritas. Estou desiludido com a facilidade com que a montanha que julgava ser a nossa amizade se desmoronou, como se de um mero castelo de areia se tratasse...
Perdi uma amiga, e arrependo-me disso, mas será que ainda a poderia considerar uma amiga? A uma pessoa que desrespeitou seis anos de uma amizade, que desrespeitou tudo aquilo que sempre fui para ela, e no fim acabou por me desrespeitar a mim, não posso chamar amiga. Muito menos quando o motivo pelo que tudo foi desrespeitado tenha sido talvez o momento mais honesto, sincero e frontal da nossa amizade.
A verdade traz consequências, e não são alternativas, como o jogo popular pode sugerir... Estarmos preparados para encarar e enfrentar essas consequências faz parte do nosso crescimento como pessoas. E, se aquilo que dissemos foi pura verdade, a consequência não poderá ser mais verdadeira e honesta. Poderá ser brutal e injusta, mas nunca poderá nem deverá abalar a nossa honestidade.
Continuarei a ser honesto, sincero, frontal e verdadeiro, porque não acredito no contrário. Por mais que me doa.
Serão estes conceitos assim tão estranhos, nos dias que correm? Ou será que são apenas isso mesmo: conceitos? Conceitos sem fundamento, sem aplicação prática, que se perderam com o tempo como tantos outros?
Eu não acredito nisso. Não quero acreditar. Será fraqueza minha? Não creio. Acredito nestas coisas como um Templário no Graal de que tanto se ouve contar, mas que ninguém viu. Acredito em ser honesto com as pessoas, principalmente com aqueles de quem gosto e que considero meus amigos. Acredito que só sendo sincero com eles estarei a ser sincero comigo próprio, e só assim consigo construir uma amizade sólida, forte, cúmplice e duradoura. Acredito que é preciso ser-se frontal de vez em quando, dizendo aos amigos aquilo que pensamos, para que haja justiça nessa mesma amizade, para que ela não seja apenas uma relação distante e fútil, e porque sem frontalidade estaremos a comprometer a própria honestidade, e a própria sinceridade.
Então porque será tão difícil ser-se honesto, sincero, e principalmente frontal? Porque teremos nós receio de dizer a verdade, principalmente se ela é difícil de dizer? Ter-se-á "difícil" tornado "impossível", nalgum ponto da nossa História?
Há uns tempos atrás, disse aqui que estaria preparado para cometer algumas pequenas loucuras. "Preparado" quis dizer que transpus o medo que se interpunha entre mim e a verdade, e fiz da verdade o meu objectivo final. Não mais iria deixar coisas por dizer, apenas por serem "difíceis". Se houvesse coisas a dizer, di-las-ia, sem medo. Afinal, que seria mais justo e honesto do que ser sincero, frontal, e verdadeiro? E quem me poderia censurar por isso?
Hoje, tenho menos uma amiga.
Uma amiga a quem me abri como nunca me tinha aberto antes, a quem confessei coisas boas e más do meu e do nosso passado, a quem contei coisas que contive este tempo todo, apenas porque achei que seria justo ela sabê-las - por fazer parte não apenas de mim, mas de nós. Não que alguma vez nesse passado - ou até ao presente - lhe tenha sido desonesto, ou não tenha sido sincero ou verdadeiro, ou mesmo frontal. Fui tudo isto até onde me foi permitido, mas mesmo assim houve muito que ficou por contar: coisas pelas quais passei sozinho, confusões e tormentas que tive que enfrentar e ultrapassar, e o que fui aprendendo com isso, e como evoluí através disso até chegar onde estou... Tudo para que, no fim, não achasse que tivessem ficado coisas por dizer, ou histórias por contar...
Hoje, tenho menos uma amiga.
Uma amiga que apenas soube olhar para o que eu disse e - ignorando e desrespeitando tudo o que conheceu e aprendeu sobre mim estes anos todos - perverter as minhas palavras de tal maneira que, no fim, aquele que ela me acusou de ser não era eu. Era alguém que eu não conhecia, alguém horrível aos meus olhos, alguém que me repugnava e que eu nunca conseguiria admitir na minha presença. Acusou-me de ser propositadamente subversivo, enganador, pérfido e mentiroso. Um génio da mentira, brilhante na sua concepção de um esquema tão elaborado, que invejaria o próprio demónio. Um esquema tão diabólico, que eu próprio tive dificuldade em entendê-lo...
A princípio, fiquei atónito. Seria aquilo verdade? Não podia crer... Seria aquilo para mim? Indubitavelmente, era: o meu nome estava lá, e era dirigido a mim...
Depois, veio a confusão. Não conseguia perceber onde ela tinha visto semelhantes coisas em mim... Li-me e reli-me até que percebesse como se conseguiria chegar a tais conclusões a partir do que escrevi... sem sucesso. Cheguei a duvidar da própria idoneidade das minhas palavras, mas logo me lembrei de quem era, e da vontade de ser franco e honesto que me tinha assolado quando lhe escrevi, e me apercebi que não me tinha enganado - não tinha dito nem nunca tinha tido intenção de dizer tais aberrações...
Finalmente, a desilusão. Estava desiludido comigo, por ter sido talvez demasiado franco... Não, não estava. Não podia estar! Quis ser franco, e verdadeiro, e tinha-o sido. Não havia como sê-lo em demasia. Então estava desiludido com ela...
E estava. E estou. Estou desiludido com o facto de seis anos de uma amizade que achava ser forte e honesta se podem tornar irrelevantes de um dia para o outro. Estou desiludido com o facto de alguém de quem gostava, e cujo carácter respeitava, ter sido capaz de distorcer, corromper e perverter tanto as mais honestas das palavras, como se pelo pior dos criminosos tivessem sido escritas. Estou desiludido com a facilidade com que a montanha que julgava ser a nossa amizade se desmoronou, como se de um mero castelo de areia se tratasse...
Perdi uma amiga, e arrependo-me disso, mas será que ainda a poderia considerar uma amiga? A uma pessoa que desrespeitou seis anos de uma amizade, que desrespeitou tudo aquilo que sempre fui para ela, e no fim acabou por me desrespeitar a mim, não posso chamar amiga. Muito menos quando o motivo pelo que tudo foi desrespeitado tenha sido talvez o momento mais honesto, sincero e frontal da nossa amizade.
A verdade traz consequências, e não são alternativas, como o jogo popular pode sugerir... Estarmos preparados para encarar e enfrentar essas consequências faz parte do nosso crescimento como pessoas. E, se aquilo que dissemos foi pura verdade, a consequência não poderá ser mais verdadeira e honesta. Poderá ser brutal e injusta, mas nunca poderá nem deverá abalar a nossa honestidade.
Continuarei a ser honesto, sincero, frontal e verdadeiro, porque não acredito no contrário. Por mais que me doa.

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