Mentiras-relógio
Já aconteceu várias vezes com as minhas, e por mais que uma vez aconteceu com as dos outros: as mentiras que vivemos acabam por nos rebentar na cara, quando menos esperamos...
Um belo dia, vemo-nos perante uma situação com que é complicado lidar-se: um assunto que sabemos ter grande potencial para gerar controvérsia, polémica, burburinho, e que pode ter um impacto significativo na nossa vida - não pelo assunto em si, mas pelo que os outros possam fazer ou pensar dele. É, realmente, complicado tratar de um assunto que depende da interpretação e opinião de outrem, especialmente quando achamos que a sua reacção possa não ser a melhor, e mesmo que nos seja desfavorável.
Qual a solução que encontramos para lidar com isto? - a mentira, a decepção, a ilusão. Porquê? - porque é muito mais fácil! Porque é uma maneira de "lidar" com o problema sem ter que *lidar* com o problema. Porque na altura não temos nem energia nem disponibilidade para pensar na solução que - certamente - nos irá trazer alguns dissabores, mas que é a mais correcta e - a seu tempo - a que melhor resulta.
Mas qual é a "solução"? - qualquer pessoa com inteligência, senso-comum e capacidade de discernimento médias sabe dizer que a solução é tudo menos mentir. Que o melhor a fazer é evitar que boatos e falsos rumores, más interpretações e polémicas se criem, tomando-se a iniciativa de divulgar a "nossa" verdade, antes que a "verdade" dos outros se espalhe e distorça cada vez mais. Porque a polémica é tanto maior quanto maior for o esforço do actor em esconder a acção, do prevaricador em esconder a prevaricação, do autor em esconder a obra.
Quantas vezes - e durante quanto tempo - ouvimos falar de um indivíduo que veio a público falar de qualquer assunto, antes que este se soubesse por outros meios? E, ao contrário, quantas vezes - e durante quanto tempo - ouvimos falar de um indivíduo que cometeu determinada acção polémica, sem que este o admitisse, e com quantas versões desse acto nos deparamos? Pense-se no jornalismo sensacionalista, nos paparazzi, na imprensa cor-de-rosa, e saberão de imediato do que falo. Porque nenhuma dessas notícias alguma vez apareceria num desses media, se fosse contada pelo próprio antes de se saber de antemão por terceiros, de uma forma sub-reptícia ou acidental. E tanto maior é a notícia quanto maior for o encobrimento.
Isto são as mentiras-relógio. As mentiras que criamos para esconder as coisas com que não sabemos ou queremos lidar, e que acabam por vir ao de cima da pior forma possível - da forma que tanto nos esforçamos para que não acontecesse. Ou não existisse a Lei de Murphy (nítido apontamento de Engenheiro, mas verdade absoluta). E muitas vezes, quando rebentam, causam estragos não só em nós, como nos que nos rodeiam - inadvertidamente, não intencionalmente, mas inevitavelmente.
Contrariamente ao vinho e a um pequeno punhado de outras coisas que quase se contam pelos dedos das mãos, a maior parte das coisas só piora com a idade. E, se criamos uma situação com potencial explosivo e insistimos em não a deflagrar em segurança, quanto mais tempo passa mais perigosa e incontrolável ela se torna... Palavra de quem viveu isto demasiadas vezes.
Um belo dia, vemo-nos perante uma situação com que é complicado lidar-se: um assunto que sabemos ter grande potencial para gerar controvérsia, polémica, burburinho, e que pode ter um impacto significativo na nossa vida - não pelo assunto em si, mas pelo que os outros possam fazer ou pensar dele. É, realmente, complicado tratar de um assunto que depende da interpretação e opinião de outrem, especialmente quando achamos que a sua reacção possa não ser a melhor, e mesmo que nos seja desfavorável.
Qual a solução que encontramos para lidar com isto? - a mentira, a decepção, a ilusão. Porquê? - porque é muito mais fácil! Porque é uma maneira de "lidar" com o problema sem ter que *lidar* com o problema. Porque na altura não temos nem energia nem disponibilidade para pensar na solução que - certamente - nos irá trazer alguns dissabores, mas que é a mais correcta e - a seu tempo - a que melhor resulta.
Mas qual é a "solução"? - qualquer pessoa com inteligência, senso-comum e capacidade de discernimento médias sabe dizer que a solução é tudo menos mentir. Que o melhor a fazer é evitar que boatos e falsos rumores, más interpretações e polémicas se criem, tomando-se a iniciativa de divulgar a "nossa" verdade, antes que a "verdade" dos outros se espalhe e distorça cada vez mais. Porque a polémica é tanto maior quanto maior for o esforço do actor em esconder a acção, do prevaricador em esconder a prevaricação, do autor em esconder a obra.
Quantas vezes - e durante quanto tempo - ouvimos falar de um indivíduo que veio a público falar de qualquer assunto, antes que este se soubesse por outros meios? E, ao contrário, quantas vezes - e durante quanto tempo - ouvimos falar de um indivíduo que cometeu determinada acção polémica, sem que este o admitisse, e com quantas versões desse acto nos deparamos? Pense-se no jornalismo sensacionalista, nos paparazzi, na imprensa cor-de-rosa, e saberão de imediato do que falo. Porque nenhuma dessas notícias alguma vez apareceria num desses media, se fosse contada pelo próprio antes de se saber de antemão por terceiros, de uma forma sub-reptícia ou acidental. E tanto maior é a notícia quanto maior for o encobrimento.
Isto são as mentiras-relógio. As mentiras que criamos para esconder as coisas com que não sabemos ou queremos lidar, e que acabam por vir ao de cima da pior forma possível - da forma que tanto nos esforçamos para que não acontecesse. Ou não existisse a Lei de Murphy (nítido apontamento de Engenheiro, mas verdade absoluta). E muitas vezes, quando rebentam, causam estragos não só em nós, como nos que nos rodeiam - inadvertidamente, não intencionalmente, mas inevitavelmente.
Contrariamente ao vinho e a um pequeno punhado de outras coisas que quase se contam pelos dedos das mãos, a maior parte das coisas só piora com a idade. E, se criamos uma situação com potencial explosivo e insistimos em não a deflagrar em segurança, quanto mais tempo passa mais perigosa e incontrolável ela se torna... Palavra de quem viveu isto demasiadas vezes.
