Anti-Newton, ou o caso do Paradoxo TP-1878
No mundo em que vivemos, há uma coisa em que geralmente confiamos: na ciência. Deixamo-nos reger por algumas leis que damos como certas (porque funcionam?) e normalmente não as questionamos, até porque já deve ter havido alguém bem mais sábio que nós a fazê-lo, e sem sucesso.
Eu sou uma das pessoas que gostam de as pôr em causa, até que esgote todas as refutações que o meu intelecto seja capaz de produzir. Geralmente, o resultado é 1-0 para a ciência...
Mas hoje sei de uma lei que não é absoluta: uma lei que Isaac Newton formulou, e a que deu o nome de "Lei da Atracção Universal" (ou qualquer coisa parecida, em inglês da época...). A excepção a essa lei que - erradamente - Newton chamou de "universal", é aquilo que eu apelidei de "Lei da Repulsão Selectiva" - ou "Paradoxo TP-1878".
Esta é a lei que rege a minha vida. Uma lei formulada por quase 10.000 dias de experiência contínua, e que hoje tomo como certa.
Porquê "Repulsão Selectiva"? Simples: tudo aquilo de que me tento aproximar, afasta-se de mim a uma velocidade igual ou superior à minha velocidade linear de aproximação. Resultado? Só posso ter aquilo que não desejo.
Disto resulta o Paradoxo TP-1878. Uma das lições básicas de vida, que toda a gente com uma certa maturidade de espírito conhece, é qualquer coisa nas linhas de "para alcançares algo, tens que lutar por isso", ou "nada se ganha sem esforço".
Sendo assim, porque é que tudo aquilo que ambiciono e luto para atingir, se esmorece a cada passo em frente que dou? Porque é que as coisas só parecem surgir quando não as persigo, e quando menos as espero? E porque é que, cada vez que vislumbro uma luz ao fundo de um túnel, e me decido a percorrê-lo, a luz se apaga a poucos passos do início da minha caminhada?
Não posso almejar nada. Não posso ter ambições, sonhos, desejos, ou até o mais simples dos objectivos. Porque se os tiver, nunca os irei alcançar.
Mas então como posso viver sem ambições? Para que vivo? Já não sei o que é pior: viver alheado, sem desejo de conhecer ou lutar pelo meu futuro, ou viver com medo dos desgostos e frustrações que o futuro me traz, de cada vez que o tento construir...
Descobri que o mais simples é não viver, mas simplesmente ser. Apenas deixar-me flutuar e ser arrastado pela corrente da vida. Porque se nado, é para descobrir que apenas nadei contra uma corrente que é mais forte que eu, e o resultado foi cansaço e frustração.
Mas também descobri que, por mais que queira, não consigo apenas existir. Há sempre algo em mim que insiste em me libertar da inércia, e forçar a reacção. Uma força estúpida, que ignora o sofrimento que vai causar e persiste, incessantemente...
E assim sou eu. O Paradoxo TP-1878. O Anti-Newton. Eternamente preso no buraco negro da minha própria existência.
Eu sou uma das pessoas que gostam de as pôr em causa, até que esgote todas as refutações que o meu intelecto seja capaz de produzir. Geralmente, o resultado é 1-0 para a ciência...
Mas hoje sei de uma lei que não é absoluta: uma lei que Isaac Newton formulou, e a que deu o nome de "Lei da Atracção Universal" (ou qualquer coisa parecida, em inglês da época...). A excepção a essa lei que - erradamente - Newton chamou de "universal", é aquilo que eu apelidei de "Lei da Repulsão Selectiva" - ou "Paradoxo TP-1878".
Esta é a lei que rege a minha vida. Uma lei formulada por quase 10.000 dias de experiência contínua, e que hoje tomo como certa.
Porquê "Repulsão Selectiva"? Simples: tudo aquilo de que me tento aproximar, afasta-se de mim a uma velocidade igual ou superior à minha velocidade linear de aproximação. Resultado? Só posso ter aquilo que não desejo.
Disto resulta o Paradoxo TP-1878. Uma das lições básicas de vida, que toda a gente com uma certa maturidade de espírito conhece, é qualquer coisa nas linhas de "para alcançares algo, tens que lutar por isso", ou "nada se ganha sem esforço".
Sendo assim, porque é que tudo aquilo que ambiciono e luto para atingir, se esmorece a cada passo em frente que dou? Porque é que as coisas só parecem surgir quando não as persigo, e quando menos as espero? E porque é que, cada vez que vislumbro uma luz ao fundo de um túnel, e me decido a percorrê-lo, a luz se apaga a poucos passos do início da minha caminhada?
Não posso almejar nada. Não posso ter ambições, sonhos, desejos, ou até o mais simples dos objectivos. Porque se os tiver, nunca os irei alcançar.
Mas então como posso viver sem ambições? Para que vivo? Já não sei o que é pior: viver alheado, sem desejo de conhecer ou lutar pelo meu futuro, ou viver com medo dos desgostos e frustrações que o futuro me traz, de cada vez que o tento construir...
Descobri que o mais simples é não viver, mas simplesmente ser. Apenas deixar-me flutuar e ser arrastado pela corrente da vida. Porque se nado, é para descobrir que apenas nadei contra uma corrente que é mais forte que eu, e o resultado foi cansaço e frustração.
Mas também descobri que, por mais que queira, não consigo apenas existir. Há sempre algo em mim que insiste em me libertar da inércia, e forçar a reacção. Uma força estúpida, que ignora o sofrimento que vai causar e persiste, incessantemente...
E assim sou eu. O Paradoxo TP-1878. O Anti-Newton. Eternamente preso no buraco negro da minha própria existência.
