segunda-feira, dezembro 27, 2004

Vazio moral natalicio

A celebração das festividades natalícias levam-me sempre a pensar na minha avareza ou sovinice quando se trata de presentear todos os meus amigos e familiares. Não é que eu não goste de receber presentes mas o facto é que não os espero, de ninguém. O que me leva a pensar que os outros também não deveriam esperar isso de mim. Mas sei que não é assim e isso incomoda-me, subtilmente, confesso. E incomoda-me ainda mais quando os recebo de toda a parte como que em sinal de protesto contra a minha forma de estar nesta matéria. Materialismos à parte, se não fosse a minha situação financeira de dependência económica, talvez pudesse de facto encontrar uma forma mais cúmplice de lidar com os presentes que recebo.
Este breve paragrafo foi apenas um desabafo do subterrâneo. Agora o que interessa foi o que me tem atormentado verdadeiramente. Pelos dias em que a religião cristã celebra o nascimento do seu profeta, tenho sido invadido por dúvidas e questões relacionadas com a devoção e fé associadas às várias religiões existentes e que são agora, como foram no passado, um dos principais focos de tensão e motivo de guerras e lutas entre regiões que levam à morte de milhares de pessoas. Motivo suficiente por si só para eu não ser um individuo religioso ou crente.

“ Morrer é fácil, viver para mudar as coisas é que é difícil “
foi o comentário de um estudante universitário Paquistanês relativa aos mártires e aos homem-bomba que sacrificam a sua vida pela dita fé… era o que eu gostava de dizer a todos os que lutam, morrem e matam em nome de uma religião, cega quanto a mim, independentemente do seu credo. Nascido e criado no seio de uma comunidade cristã desde cedo apreendi os valores desta religião com os quais me identifico no sentido ético-moral mas a qual aprendi também a criticar pelo que representou no passado e pelo presente que me parece continuar a caminhar no sentido errado. Os protocolos religiosos e as palavras retiradas dos evangelhos não me dizem absolutamente nada a não ser a sua importância a nível histórico e cientifico para análise de um período que retrata uma civilização antiga. Todavia aproveito os momentos de celebração desta religião para reflectir e aprofundar os meus conhecimentos relativos à fé e às religiões do mundo.
Hoje encontrei um caminho para o meu pensamento e entendimento da fé. Um caminho que considero ser o da verdade, do sentido e do valor da vida humana. A religião é, porque tem que ser, o ópio do povo. Representa o seu papel de forma fundamental na divulgação de princípios morais, na unificação dos povos através do dever ser social imposto a cada individuo que, só através deste meio “misterioso” pode efectivamente ser veiculado por apresentar uma resposta oposta ao medo e ao desconhecido. A religião deve ser unificadora e o garante dos valores da sociedade representados pela fé, pela crença e pela esperança. Não pode ser fundamentalismo, radicalismo ou fanatismo religioso, não pode ser um espaço, templo, igreja ou mesquita mais importante que qualquer outro pedaço de terra, não pode ser obrigação nem imposição de género nenhum que justifique a guerra e o sacrifício em nome de outros e não pode estar associada a materialismos ou formas de exploração de riqueza.
Deve ser apenas o ópio do povo na jornada para um mundo melhor.

terça-feira, dezembro 21, 2004

O ponto de viragem...

Hoje recebi uma notícia que poderá mudar a minha vida.

Notícia que veio confirmar uma suspeita, que vinha alimentando de há uns tempos para esta parte. A partir de hoje, a suspeita deixou de o ser, assim como suspeito que a minha vida - como é hoje - deixará de o ser também...

A ver vamos. A esperança voltou, e o Sol ameaça brilhar de novo sobre esta praia!